sexta-feira, 7 de outubro de 2011

REDES SOCIAIS VIRTUAIS. TERÃO ELAS ESPAÇO NA ESCOLA?


 
Simão Pedro P. Marinho
Coleção Didática e Prática de Ensino - Endipe 2010

Humberto Corrêa dos Santos – Uniube

            A questão das tecnologias digitais de informação e comunicação – TDIC são abordadas hoje como se fossem novidades, algo inédito e que na verdade são coisas antigas com novas embalagens.
            Cita-se como exemplo o “copy-and-paste”, plágio adotado por estudantes ao elaborarem o que seria seus trabalhos acadêmicos. Copiam trechos da web e apresentam como se fosse uma produção original.
            Por outro lado observa-se que trechos de enciclopédias eram copiados em forma manuscrita ou datilografada, sendo apresentado como trabalho escolar.
            Sobre as redes sociais, nada é novidade, apenas acrescentaram-se novas “roupagens”. Nessa acepção os indivíduos estão ligados por um ou mais tipos específicos de interdependência, tais como amizade, partilha de saberes, relações de crenças ou prestígio.
            Portanto, redes sociais sempre existiram, não é invenção contemporânea. E sempre existiram em razão do homem ser um animal social.
            Hoje, as redes sociais aparecem como algo inédito e que acaba entrando na escola como uma estratégia para que a educação se torne melhor.
            Mas, cada classe ali não seria um exemplo de rede social? No recreio não se estabelece redes sociais? Afirma, que a escola é rede social o tempo todo.
            Numa sala de aula o professor corresponde ao nó central, ao qual se ligam, por links, as “estações”, ou seja, os alunos. Entre os alunos nenhum link, nenhuma ligação, a não ser na conversa furtiva que muitos professores consideram ato de indisciplina. Embora, haja ausência de interatividade, não deixa por isso de ser uma rede social.
            O que acontece hoje é uma rede social virtual ou rede virtual tecnológica, ou seja, uma rede possível pelos recursos da tecnologia digital, redes que se estabelecem pela internet.
            O autor percebe uma “confusão” conceitual de redes sociais virtuais, comunidades virtuais [CV], redes de aprendizagem colaborativa (ALMEIDA, 2003), redes tecnológicas (SIEMENS, 2010) e sites de compartilhamento de produções [vídeos, apresentações, fotografias, dentre outros]. Não é sem sentido que ainda se busca uma definição de comunidades virtuais de aprendizagem (CARVALHO, 2007).
            Observa-se que o que vem ocorrendo é um fenômeno da transmutação de sentido do termo comunidade para redes sociais. Para Rheingold (2000), a expressão comunidade virtual designa grupos de pessoas que estabelecem através de laços sociais e por certo tempo, relações no ciberespaço, com um sentimento de pertença, compartilhando interesses comuns.

REDES SOCIAIS VIRTUAIS

A Internet, sem o menor resquício de dúvida, provocou mudanças significativas na sociedade. Foi absolutamente inovadora na forma das pessoas se comunicarem. E, na medida em que os recursos das tecnologias digitais de informação e comunicação vão cada vez mais sendo usados em uma comunicação midiatizada pelo computador, é razoável esperar mudanças nas formas de socialização.
A Web 2.0 pode ser entendida como uma nova geração de serviços e aplicativos online, os softwares sociais, que vêm sendo responsáveis por significativas mudanças na forma como pessoas se relacionam com a rede e através dela.
Usando as interfaces das Web 2.0, o internauta deixa de ser apenas um leitor isolado do texto de terceiros, pode não permanecer como tão somente um coletor de informações.
Agora o internauta tem a possibilidade de colaborar na criação de grandes repositórios de informações, tornando-se também semeador, contribuindo para que toda uma riqueza cognitiva se estabeleça e se expanda (MARINHO, TÁRCIA, ENOQUE, VILELA, 2009).
A cada momento surgem novas redes: Orkut, MySpace, Friendster, bebo.com, facebook, etc.
Um exemplo é o Orkut, cujo objetivo é ajudar seus membros a criarem novas amizades e manterem relacionamentos, assim, se trata de um grande banco de dados sobre relações de amizade.
O Fecebook por sua vez com objetivos semelhantes ao Orkut, hoje conta com mais usuários, com componentes, como, por exemplo, jogos. Abrindo-se uma interessante possibilidade de novas experiências sócias na rede.
Uma característica dessas redes é que são abertas de maneira geral, exigindo apenas um cadastramento dependente da existência de um e-mail válido. Em síntese qualquer um pode se cadastrar como usuário das redes.

REDES SOCIAIS VIRTUIAS NA ESCOLA. SIM OU NÃO. CONTRAPONDO RAZÕES E ARGUMENTOS

Vários autores revelam uma lista sedutora de razões para que nossas escolas incorporem as Redes Sociais Virtuais como recurso pedagógico, alegando favorecer a colaboração, a cooperação, tirando o aluno de um processo solitário.
Por que acreditar que na virtualidade os alunos colaborarão, cooperarão e aprenderão através da partilha de saberes, se não o fazem na sala de aula presencial?
Os professores em geral não praticam colaboração e cooperação com os seus pares. Não aprenderam a ser colaborativos ou cooperativos, inclusive porque não foram formados em espaços de colaboração e cooperação.
A cultura instalada na escola acaba levando ao isolamento – de exigir que o aluno, durante as aulas, permaneça sentado em sua carteira, seu território, e preferentemente silente, sob o argumento da necessária manutenção da disciplina.
Outra razão está na constatação de que o tempo dos encontros na escola presencial é muito reduzido, não havendo oportunidades para que todos os alunos de uma turma expressem opiniões e verbalizem suas próprias dúvidas.
Como romper barreiras espaço-temporais, criando-se um tempo extra para a aprendizagem, atribuindo mais trabalho aos já sobrecarregados professores que por vezes trabalham em mais de uma escola ou em até três turnos?

FECHANDO, SEM PRETENDER SER CONCLUSIVO

As novas tecnologias de informação e comunicação chegam à escola muitas vezes como uma imposição da modernidade, sem saber bem o seu lugar neste ambiente e acabam esquecidas ou “escolarizadas” - com a missão de resolver as tarefas educacionais propostas.
Se a escola decidir de alguma forma fazer com que as Redes Sociais Virtuais se integrem ao seu cotidiano, muitos obstáculos deverão ser superados. Resta saber se ela dará conta disso.
Rever e efetivamente praticar os novos papéis de quem ensina e de quem aprende em uma escola do século XXI talvez seja um obstáculo mais simples a superar, ainda que isso possa causar incômodos, notadamente no caso dos professores que são constantemente chamados a, de certa forma, abrir mão de parte de sua autoridade.
A escola contemporânea tem necessidade premente de se transformar o seu espaço social em local de práticas democráticas para a aprendizagem (JENLINK; JENLINK, 2008), ainda que Barabási (2009) tenha demonstrado que, por não ser randômica, a web falha enquanto espaço da democracia, da equidade e dos valores igualitários.
As Redes Sociais Virtuais, se incorporadas pelas escolas, não deverão ser apenas mais um espaço, ampliado, para se fazer a mesma educação. Essas redes são um novo e diferenciado espaço, exigindo como que uma nova didática na perspectiva de uma nova educação, contemporânea.
E, como bem alerta Franco, (2009, p. 1), será necessário entender que as redes não são expedientes instrumentais para pescar pessoas e levá-las a trilhar um determinado caminho ou seguir uma determinada orientação.
Estarão os professores, prontos para permitir isso?
Resta esperar, sejamos otimistas ou pessimistas. A realidade de alguma forma se fará concreta. Contudo essa nova realidade, qual seja, não cairá na escola como um fato. Os professores e gestores a construirão, cientes e conscientes de que a internet nada mais é do que um instrumento que estimula certos comportamentos, mas não os modifica.
Conclui-se que o autor propõe provocar a reflexão dos educadores, mais entusiasmados ou menos entusiasmados, com a perspectiva de uso das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação na escola, em especial da incorporação de Redes Sociais Virtuais.